segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Bancos doaram mais de R$ 109 milhões de reais para candidatos nestas eleições 2010

De Daniel Bramatti, de O Estado de S.Paulo

Os bancos brasileiros doaram pelo menos R$ 109 milhões a candidatos e a partidos durante a campanha eleitoral de 2010 - essa quantia crescerá quando forem conhecidas as prestações de contas finais de Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) e as dos candidatos a governador que disputaram o segundo turno.
O mapa do financiamento de campanha segundo os setores da economia, obtido pela colunista Sonia Racy, mostra bancos em segundo lugar no ranking das doações, atrás somente das empreiteiras, que contribuíram com mais de R$ 200 milhões.
Os números se referem a doações a partidos, a comitês financeiros de campanha e a candidatos ao Congresso, às Assembleias Legislativas, aos governos estaduais e à Presidência da República - nesse último caso, apenas os dados de Marina Silva (PV) são integrais.
Os dados parciais mostram que os bancos fizeram 51% de suas contribuições às direções nacionais e estaduais de partidos.
Nesse caso, o dinheiro é redistribuído pelos partidos para o caixa dos candidatos, sem que se possa fazer a conexão de quem doou para quem - são as chamadas doações ocultas. Apenas 32% dos recursos foram distribuídos diretamente a candidatos, e o restante a comitês de campanha.
Maiores financiadores. Até o momento, o Bradesco aparece como o líder no ranking de doações do setor financeiro: foram R$ 45 milhões - total que inclui contribuições de outras duas empresas do grupo, o Bankpar e o Banco Alvorada.
Em segundo lugar está o BMG, com R$ 29 milhões, mais do que o dobro do terceiro colocado, o Itaú Unibanco, com R$ 14 milhões.
O BMG foi investigado no escândalo do mensalão, em 2005, por ter feito empréstimos ao PT e a empresas do publicitário Marcos Valério sem exigir garantias adequadas e observar outras regras do Banco Central.
Das maiores contribuições individuais feitas pela instituição, grande parte se concentrou em Minas Gerais, Estado onde está sediado. O ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT), que concorreu ao Senado e foi derrotado, recebeu R$ 500 mil.
Outros R$ 300 mil foram destinados a Aécio Neves (PSDB), ex-governador e senador eleito. Hélio Costa (PMDB) e Antonio Anastasia (PSDB), que disputaram o governo do Estado, receberam R$ 500 mil e R$ 504 mil, respectivamente.

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