segunda-feira, 16 de maio de 2011

Surdos fazem manifestação na AL para garantir ensino diferenciado

Cerca de 500 alunos do Instituto dos Surdos e Instituto Filippo Smaldone e representantes de outras entidades voltadas a pessoas especiais fizeram manifestação na manhã desta segunda-feira (16/05) na Assembleia Legislativa, pela manutenção de escolas especiais para surdos. O ato é um protesto contra a integração dos surdos nas escolas comuns, prevista pelo Plano Nacional de Educação (PNE) e o possível fechamento das unidades de educação diferenciada para os portadores de deficiência auditiva.

O tema será apreciado na audiência pública da Comissão Especial do PNE, da Câmara Federal, que acontece nesta manhã no Legislativo estadual.

De acordo com a professora Juliana Brito, diretora do Instituto dos Surdos, a medida seria altamente prejudicial para os alunos, pois as escolas regulares não teriam como atender as necessidades dos surdos. Segundo ela, não basta colocar um intérprete em cada sala de aula, porque isso criaria mais uma barreira entre professores e estudantes.

Juliana destacou ainda que os alunos nas séries iniciais precisam também de um pedagogo bilíngue, para que possam ser iniciadas em seu primeiro idioma, que é a Libras (Língua Brasileira de Sinais), o que provavelmente não irá existir nas escolas regulares. Além disso, o material próprio para os estudantes especiais deve ser diferenciado, obedecendo às especificidades deste tipo de aprendizado.

A professora defendeu que em vez de extinguir as escolas voltadas para o aprendizado especial de surdos-mudos, o MEC deveria trabalhar no sentido de produzir material didático próprio para esses alunos. Segundo ela, a carência é grande e o aprendizado prejudicado.

Apesar de uma população de surdos calculada entre 160 mil e 240 mil, em todo o Ceará, aproximadamente, segundo a professora, apenas pouco mais de mil alunos são atendidos pelas duas escolas voltadas para surdos existentes no Estado, ambas localizadas em Fortaleza. Ou seja, há uma enorme demanda reprimida.

Devido às deficiências da rede de ensino, um grande número de alunos de Fortaleza é oriundo de outros municípios. Juliana informou que no Instituto recebe jovens de Horizonte, Maracanaú, Quixadá, Maranguape, Caucaia, Eusébio e Itaitinga. Ela admite que muitas pessoas que não têm condições de se deslocar até a Capital ficam desassistidas.
JS/CG

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