terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Os tigres do Nordeste

 Com o aumento da renda da população, a região supera as taxas de crescimento do restante do País e passa a atrair investimentos de grandes empresas

Projeções recentes indicam que a economia brasileira vai crescer 7,5% em 2010. É um resultado espantoso, comparável à evolução do PIB chinês. Mas existe uma região do Brasil que acelera ainda mais. Depois de décadas de paralisia, que os tornaram incapazes de acompanhar a expansão do restante do País, os Estados do Nordeste passam por um período de fartura sem precedentes. Segundo o IBGE, os três líderes de crescimento no terceiro trimestre de 2010 foram Ceará (alta de 8,4% do PIB), Pernambuco (8,4%) e Bahia (6,4%). A performance é resultado principalmente do aumento da renda da população local, favorecida pelos recursos que vieram dos programas sociais, pela maior oferta de emprego e pela inédita disposição das empresas de investir na região. Essa transformação ficará como uma das maiores do governo Lula. Para citar apenas um exemplo do que representa o incentivo oficial, a Bahia foi o terceiro Estado brasileiro que mais recebeu recursos da União, atrás apenas de São Paulo e do Rio de Janeiro e à frente de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul. A avalanche de investimentos previstos para os próximos anos no Nordeste e também no Norte do Brasil (leia quadro) faz supor que a bonança vai durar muito tempo.

Um dos principais catalisadores de recursos destinados ao Nordeste é o Porto de Suape, complexo industrial localizado a 40 quilômetros do centro do Recife, em Pernambuco. Apenas o Estaleiro Atlântico Sul, empresa que pertence ao grupo Camargo Corrêa, desembolsou R$ 1,8 bilhão para produzir embarcações no local. Suape é tão abrangente que acabou por gerar uma onda de investimentos em diversos setores. Na área rodoviária, um consórcio liderado pela Odebrecht desembolsou R$ 75,6 milhões para construir a Via Parque, rota com sete quilômetros de extensão e um pedágio (é o primeiro em operação no Estado) que facilitou o acesso ao porto. O projeto atraiu profissionais como o gerente de operações Ivan Moraes, 52 anos, que trocou Vitória, no Espírito Santo, por Recife. “Há muitas pessoas que estão vindo de outros Estados para cá”, diz Moraes. “Como o crescimento tem sido muito rápido, falta mão de obra qualificada.”


Suape: R$ 1,8 bilhão
Não são apenas os grandes projetos de infraestrutura que estimulam o boom econômico da região. Empresas de consumo fizeram do Nordeste parte importante de sua estratégia de negócios. A Unilever, dona de marcas como Kibon, Omo e Rexona, investiu recentemente R$ 85 milhões na ampliação de sua fábrica em Igarassu, em Pernambuco. Segundo Luiz Carlos Dutra, o consumo do Nordeste está passando por uma segunda fase de expansão. Antes, diz ele, os nordestinos estavam preocupados essencialmente com o preço dos produtos. Agora, com o aumento da renda, existe a busca também por qualidade. O Nordeste também funciona como uma espécie de laboratório para o lançamento de artigos. Introduzido primeiro na região, um novo desodorante fez tanto sucesso que acabou sendo levado para outras praças. “Esse produto virou um acontecimento nacional”, afirma Dutra. A PepsiCo, segunda maior fabricante de refrigerantes do mundo, já obtém 20% de suas receitas no Brasil do Norte e Nordeste. Até pouco tempo atrás, esse percentual não passava de um dígito. Em fevereiro de 2010, a empresa criou a Unidade de Negócio Neno (Norte e Nordeste), focada exclusivamente em projetos para as duas regiões. Uma nova fábrica, que será inaugurada em 2011, na cidade de Feira de Santana, na Bahia, receberá investimentos de R$ 40 milhões. “O crescimento de consumo no Norte e Nordeste, se comparado ao Sudeste, chega a ser quase três vezes maior”, diz Alexandre Wolff, diretor da unidade Neno. “O desenvolvimento nessas regiões veio para ficar.”

Isto É

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